Uma coisa é certa: a dificuldade actual que temos com a esperança obriga-nos também a purificar as representações que fazemos dela. Tornou-se insuportável o discurso de uma esperança isenta, empolgada, ligeira, fácil, imediata. Se um elogio da esperança tem hoje cabimento é o de uma esperança que aceita a prova de fogo da desesperança, e que se de alguma maneira a transcende, também a integra no seu próprio processo.
José Tolentino Calaça de Mendonça, teólogo de formação, tem abordado os temas e os textos de tradição religiosa, mantendo um diálogo permanente com as interrogações do presente. A relação entre o Cristianismo e o mundo contemporâneo tem sido uma das ideias-chave do seu percurso. Foi docente da Faculdade de Teologia e Vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa. Em 2018 pregou os Exercícios Espirituais ao Papa e à Cúria Romana. Nesse Verão, o Papa Francisco nomeou-o Arquivista e Bibliotecário da Santa Romana Igreja e foi ordenado bispo. Em Outubro de 2019 recebeu o barrete cardinalício. Além de ensaísta, com uma vasta obra traduzida internacionalmente, tem uma produção poética reconhecida.