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Há quase duas décadas que
portugueses e brasileiros, e mais recentemente também africanos, se reúnem cada
dois anos nas suas margens atlânticas para, numa ponte bioética, olhar a vida,
saboreá-la e dedicar-lhe cuidada atenção.
Atentos ao desenvolvimento que as
sociedades legitimamente reclamam, no IX Encontro Luso-Brasileiro de Bioética e
III Encontro Lusófono de Bioética, debateu-se o “preço” deste desenvolvimento,
e questionou-se o seu caminho e apontou-se modelos de proteção para os mais
pobres, os esquecidos, ou para aqueles a quem apenas é permitido ladearem o
Planeta.
Cientes de uma intrínseca
fragilidade, que nos expõe à ofensa, ao vexame e à possibilidade de sermos
mortalmente feridos, é no cuidado assumido também para com outras
diversificadas formas de vida do nosso Planeta que afirmaremos a dimensão ética
do nosso agir.
O IX Encontro Luso-Brasileiro de
Bioética e III Encontro Lusófono de Bioética trabalhou temas como
responsabilidade ética individual e institucional, a proteção devida ao
ambiente que nos acolhe, a proteção que as questões sociais merecem dos poderes
políticos.
Cerca de trinta conferências e em
mais de cinquenta comunicações, onde o espaço do debate alargado e fecundo
ocupou o seu lugar próprio; e numa toada porventura inusitada, revisitou-se o
ser humano mergulhado numa biosfera de que é pertença, não proprietário, de
cujos elementos se distingue mas de que se não separa, a cujos membros se junta
mas não se diluindo nas suas existências; descobriu-se este mesmo ser humano na
sua vulnerabilidade social e encontramo-lo no trapézio do seu viver.
Identificou-se riscos e a necessidade de uma proteção ajustada, questionou-se
um antropocentrismo estiolante e a necessidade de compromissos na procura de
uma harmonia integradora!
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